Dentre o que conheci e deixou de existir no Méier, uma das coisas que mais me fazem falta é o Art-Méier. Era ótimo ter um cinema por perto, acessível a pé e com ingresso barato. Sobretudo, era ótimo ter por perto um cinema de verdade - e não uma mera sala. O Art-Méier, na rua Silva Rabelo, tinha capacidade para mais de 600 pessoas (incluindo o balcão no segundo andar) e história para além do telão: foi inaugurado em 24 de maio de 1957. Quarenta anos depois, em setembro de 1997, passou pela primeira grande reforma. Com a ajuda da prefeitura, em uma tentativa de atrair de volta o público que passava a preferir as salas de cinema nos shoppings, o grupo Art-Filmes restaurou o espaço mantendo a arquitetura e a decoração originais, mas substituindo tela, poltronas, projetor, equipamentos de som, iluminação e refrigeração antigos por novos. O investimento, no entanto, não evitou que tempos depois o Art-Méier tivesse um final clichê, sendo transformado em igreja.
O Art foi o último cinema do Méier a sair de cartaz e, desde então, nunca mais tivemos nenhum outro por aqui. Rumores, sim, já houve vários. Alguns anos atrás, quando o Shopping do Méier passou por uma reforma, comentava-se que salas de cinema seriam inauguradas ali. Nunca aconteceu. A bem da verdade, o Shopping vem colecionando é espaços vazios no segundo andar. Vamos ver o que acontece agora que foi vendido para o Iguatemi.
Mas voltemos ao assunto cinema. Nessa tarde de feriado chuvosa, a mais fria do ano até agora, leio no jornal de bairro Zona Norte, publicado nO Globo do último domingo, 29 de abril, que a prefeitura está estudando a reativação de sete cinemas de bairro, entre eles o Bruni do Méier. Trata-se de um projeto de revitalização da Subsecretaria de Patrimônio Cultural, Intervenção Urbana, Arquitetura e Design em parceria com a RioFilme. Segundo o subsecretário Washington Fajardo, o projeto é viável (clique aqui para ler a matéria completa) e o traçado da Transcarioca chegou a ser modificado para preservar o Cine Vaz Lobo. Talvez eu tenha me tornado descrente demais, mas só vou começar a levar fé nesse projeto quando sentir o cheiro de pipoca saindo da bombonière. Fiz uma pesquisa na internet, mas não encontrei nada. Certamente porque, como avisa a matéria, o projeto ainda não tem orçamento nem cronograma.
Independente do projeto, no bairro de Vaz Lobo, um grupo se dedica a conseguir a restauração e reinaguração do cinema que funcionava por lá e fechou no início da década de 1980. A história está nesse post do blog Memória e Patrimônio Histórico de Queimados.
O Bruni Méier, que funcionava na avenida Amaro Cavalcanti, retratado por Sérgio Lima em 1989 para o jornal O Globo. Mais informações sobre a imagem podem ser encontradas no fotolog Zona Norte. Além do Bruni, os outros antigos cinemas do Grande Méier contemplados pelo projeto da prefeitura são o Santa Alice, no Engenho Novo, e o Cachambi.
Uma sugestão para o Boninho: no próximo BBB, quando planejar as provas de resistência, crie uma na qual, durante uma semana, os brothers tenham de deixar o subúrbio pela manhã em direção ao Centro, com trajes formais de trabalho e fazendo uso dos meios de transporte públicos disponíveis. Nada de carro. Aquele que conseguir chegar ao destino, ao menos uma vez, sem ter os cabelos desgrenhados, a roupa amarrotada, a maquiagem derretida – no caso das sisters –, e ainda conservando o aroma de frescor do banho e o bom humor intacto leva a liderança e o lançamento da Fiat naquele ano. É ou não é a prova perfeita para ser patrocinada por um fabricante de automóveis?
Não sei de todos os destinos, então falarei por mim. Quem mora na Zona Norte e trabalha no Centro tem a certeza de dois longos momentos de suplício diário: a ida para o trabalho e a volta para casa em horário de rush. Tente o ônibus, o trem, o metrô, o transporte pirata. Nenhum será minimamente satisfatório. Esta semana, uma comissão da Alerj descobriu algo que estamos exaustos de saber: suburbano é transportado pelo metrô como se fosse gado. Uma equipe de reportagem do Bom Dia, Rio acompanhou a viagem feita da estação Carioca à Pavuna, por deputados estaduais e inspetores, no fim da tarde de terça-feira. Por volta dos 2min07seg do vídeo, com o olhar desolado, a gravata levemente torta e os cabelos grudados na testa de tanto suor, o deputado Pedro Fernandes, presidente da tal comissão, afirma que se o Metrô Rio não apresentar uma solução, a Alerj irá propor a cassação da concessão do serviço. Aguardemos. Mas sentados, pois em pé e espremidos já basta dentro dos vagões do metrô.
Sugiro agora à Câmara Municipal do Rio de Janeiro seguir o exemplo da Alerj e dar uma olhada nas nossas linhas de ônibus. Adianto o que encontrarão: veículos lotados, passageiros indevidamente sentados em assentos preferenciais, motoristas mal-educados e ausência de ar condicionado, não obstante nosso calor africano. Dispomos de apenas uma linha refrigerada: o 1051 da Matias, que, embora cobre uma das tarifas mais caras (sete reais para termos motorista cortês, ar condicionado e poltrona confortável do Engenho de Dentro ao Castelo) do município, está a cada dia mais disputado.
Veja o que me aconteceu na última quarta-feira, caro cúmplice suburbano. Às sete e meia da manhã, estava eu a postos no ponto de ônibus em frente ao Prezunic da Dias da Cruz. Era a quinta pessoa na fila, o que indicava que um frescão passara há não muito tempo. Por volta das sete e quarenta e cinco, um ônibus chegou com apenas três lugares disponíveis. Normal. Recorrente, eu diria. Já me aconteceu outras vezes e se, nesse dia, eu não tivesse me atrasado cinco minutos para sair de casa, certamente teria conseguido embarcar. Mas não foi o que aconteceu, então segui esperando. Esperando, esperando, pacientemente esperando. Era agora a segunda pessoa da fila, portanto as chances eram grandes. Só que o frescão seguinte passou meia hora depois, às oito e quinze, e já lotado.
Naquele momento, a fila para o 1051 reunia mais de vinte passageiros, contados por alto. O rapaz à minha frente desistiu de esperar. Com isso, era eu agora a primeira da fila. Aguardar ou não aguardar?, eis a questão. Calculei que o próximo frescão não chegaria antes das oito e meia e, sendo assim, eu completaria uma hora de espera. O dia estava fresco quando cheguei ao ponto de ônibus e, àquela hora, o sol já começava a se tornar inconveniente. Além disso, tinha de estar no trabalho às nove. Por isso, decidi que o melhor seria tomar o primeiro ônibus que me servisse, fosse qual fosse.
Bom, quis o destino que fosse um 247 obviamente cheio e que, dois pontos adiante, ele tivesse de parar para recolher os passageiros do ônibus anterior, que quebrara. O resumo da história é o seguinte: viajei em pé, carregando minhas duas bolsas pesadas no lombo até a altura da Uerj, quando vagou um lugar e um homem gentil o ofereceu a mim. Cheguei ao escritório suada e mais de meia hora atrasada.
Por isso, morador da Zona Norte usuário dos transportes públicos, quando deixar o aconchego do seu lar para ir ao trabalho, na próxima semana, não se esqueça de, além do dinheiro da passagem ou do seu Rio Card, colocar na pasta lenço, pente, perfume, desodorante, abanador, espelho, sabonete, toalha e uma dose extra de paciência. Das boas.
Fiquei umas boas semanas sem dar as caras por aqui. Nesse ínterim, muita coisa aconteceu no bairro. Vamos ver do que lembro.
Abriu uma loja de roupas e acessórios no Shopping do Méier. Na Galeria Oxford (ou Méier Off-Shopping), a sapataria Glitter fechou, abriu uma loja de brinquedos e duas de bijuterias. Voltamos a ter uma Casa Pedro, agora do lado de cá. Finalmente saciei minha curiosidade em relação à longa obra ao lado da Marisa: abriu ali uma loja de vestuário jovem.
(Não mencionarei drogarias e laboratórios. Essa indústria da saúde me deixa doente.)
Esse tempo todo, no entanto, não foi suficiente para uma coisa: a reabertura do Tuti Fruti. No final de agosto, quando a reforma começou, perguntei e fui informada de que a obra duraria em torno de 40 dias. O ano virou e, até agora, nada. Devem estar erguendo ali dentro o palácio dos hortifrutis. Só isso justifica tamanha demora.
Assisti a três vídeos sobre bastidores já disponíveis no site da série As Cariocas, que estreará mês que vem na Globo: um sobre "A desinibida do Grajaú", outro sobre "A traída da Barra" e o terceiro sobre "A adúltera da Urca". No final do vídeo sobre o episódio que se passa no Grajaú, aparece o ator Chico Tenreiro.
Não sei se vocês ligaram o nome à pessoa, Chico Tenreiro é um ator que mora no Méier e desde a década de 1980 faz participações em produções da Globo. Lembro-me de ter sido em 1993, quando eu tinha mais tempo disponível para passar diante da TV e acompanhava a segunda versão de "Mulheres de areia", que descobri que tínhamos um representante do Méier diante das lentes globais.
Sim, sei que existem outros nomes, até bem mais conhecidos, mas nesse quesito não estou considerando personalidades como Adriana Esteves e Fátima Bernardes, pois elas não vivem mais no bairro.
Mudando o rumo dessa prosa, hoje pela manhã Alessandro Molon estava panfletando na calçada da Dias da Cruz, na altura da Casa & Vídeo. Nestas eleições, foi o primeiro candidato que encontrei no Méier. Melhor assim, há gente que é preferível nem ver.
A propósito, vocês conhecem a origem da palavra candidato? Vem de cândida, veste branca usada na Roma Antiga para representar a pureza de intenções. Parece que algo ficou para trás no longo caminho traçado pela nossa civilização ocidental...
Em 20 de setembro de 2009, após algumas tentativas, a Secretaria Especial da Ordem Pública da prefeitura finalmente conseguiu que seu infalível choque de ordem demolisse um prédio que existia há décadas na confluência das ruas Dias da Cruz, Camarista Méier e Borja Reis, na fronteira do Méier com Engenho de Dentro. Na ocasião, abordei o assunto neste post, neste outro e ainda neste aqui. Também postei esta imagem, fotografada pela minha mãe.
Um ano mais tarde, olhando para o que resultou da ação da prefeitura, eu me pergunto: pra quê? O que os moradores ganharam com isso? Uma bela paisagem?
# No último sábado, teve novamente gravação da novela Passione no Encantado, com Cauã Reymond. Desta vez não tenho fotos.
# Em plena reforma, a padaria Rainha do Méier terá seu letreiro substituído. O antigo, que estava lá desde que eu me entendo por gente, já foi retirado há alguns dias. Um mito que cai por terra.
# Comentaram no blog que o Hibisco não acabou, mas mudou de endereço. Alguém sabe disso? Tenho pesquisado, mas até agora não encontrei nada. É uma estratégia um pouco estranha essa de fechar a loja, tirar o site do ar e não avisar nada.
# Recomendo o Rio's Gourmet, que abriu há alguns meses onde antes era o Sindicato do Chopp (rua Ana Barbosa, 36), no Baixo Méier. É certamente o melhor restaurante a quilo do bairro.
Falando em reformas, o comércio do Méier está frenético. Tenho a impressão de que as obras da futura Yogofresh caminham rumo à inauguração e outros espaços também estão em processo de renovação.
O antigo Hibisco, por exemplo, chegou a ter a parede do fundo da loja derrubada. Passei em frente e da Dias da Cruz era possível avistar a travessa Valdir Augusto. Estou morrendo de curiosidade para saber o que abrirá ali. Alguém sabe? Ainda não descobri.
A Estação do Pão finalmente completou seu upgrade. O novo letreiro, a cereja que faltava no bolo, compôs um belo conjunto com a nova marquise e os toldos, não acham? Dá até gosto ser cliente de uma padaria assim. Adoro a Estação, sou viciada no pão suíço de lá.
A Rainha, por sua vez, resolveu correr atrás do prejuízo e agora também está em obras. Custou um pouco a acordar, mas como se diz, antes tarde do que nunca.
Não fiz post propaganda dessa enquete e isso se refletiu no total de votantes: apenas 14. A enquete sobre as padarias, a mais votada que o blog já teve, contou com a participação de 29 pessoas. E isso numa época em que o blog recebia muito menos visitas do que hoje.
Embora pouco votada, essa enquete ficará marcada por uma particularidade: foi a primeira em que houve unanimidade. É verdade que ofereci somente duas opções de resposta, mas todos manifestaram o mesmo interesse (que, por sinal, compartilho com os votantes).
Resta-nos torcer para que alguém mais sagaz e menos simplista olhe para nós e desconfie de que nosso gosto cinematográfico vai além de ogros animados e vampiros reluzentes. Dedos cruzados, dedos cruzados.
Você gostaria que os cinemas do Grande Méier não se restringissem aos filmes pipoca? Sim - 14 votos (100%) Não - 0 (0%)
O contraste entre as longas semanas de inatividade e a incontinência bloguística de ontem deve ter causado estranhamento nos dois ou três leitores mais assíduos. É que estou de férias no trabalho! O que, na prática, significa mais tempo disponível para empregar em obrigações de outras naturezas. Mas já era hora de empilhar as bolas de feno que rolam a esmo neste recinto. Tenho uma lista de assuntos a postar que só faz crescer. E ela não diminuirá por conta própria.
Um dos tópicos anotados na minha lista é a Yogofrutte. Ou, mais especificamente, minhas impressões sobre ela. Hoje, por sinal, faz um mês que a loja foi inaugurada, na Galeria Oxford, e nesse ínterim tive oportunidade de reunir impressões o suficiente. Porque virei cliente, por variados motivos.
Sou uma quase viciada em leite e seus derivados. Amo sorvete. Por conseguinte, essa moda do frozen yogurt muito me atrai. E a Yogofrutte é uma loja simpática: ambiente bonito e agradável, funcionárias sempre atenciosas e frozen yogurt gostoso. Já experimentei quase todos os sabores (natural, jaboticaba, frutas vermelhas e misto de natural com jaboticaba), à exceção do de chocolate. Apresentei a loja à minha mãe e meu irmão, que também gostaram.
Para ser sincera, gostaria de ter algum ponto negativo para comentar. Faria com que me sentisse mais à vontade, porque, a quem me lê, pode parecer que estou babando ovo da loja, fazendo propaganda, sei lá. Mas não se trata disso. De fato, sempre fui bem atendida lá e esse é um aspecto primordial para mim. Fujo dos estabelecimentos onde clientes não recebem o tratamento adequado, seja por qual motivo for. Sou chatíssima com isso. Poderia mencionar o preço, mas frozen yogurt não é uma sobremesa exatamente barata em lugar algum. E comparar com um sorvete do McDonald's ou do Bob's, por exemplo, seria confundir alhos com bugalhos. Então, esqueçamos esta última parte.
Nessas férias, estive na Yogofrutte algumas vezes e sempre saí de lá feliz. Hoje mesmo garanti mais uma carimbada no meu cartãozinho da loja, que já está preenchido além da metade. Quando se chega ao décimo, ganha-se um frozen yogurt pequeno com três toppings. Imagino que esse será o mais gostoso de todos.
Já repararam uma coisa? O comércio do Méier está aquecido como há muito não acontecia. Quando eu era criança, aqui tínhamos Kopenhagen, Sapasso, Casa Mattos, Sloper, Mesbla, Lobrás, Pernambucanas e uma infinidade de outras lojas que no momento não me ocorrem. Das que citei, só Kopenhagen ainda existe. E entre todas essas, as que mais me deixaram saudade foram Mesbla e Casa Mattos.
Tenho até hoje uma blusa comprada na Mesbla: um tomara-que-caia preto com detalhes prateados. Já me vestiu em muitas idas a aniversários, boates, casamentos, festividades em geral, sempre com sucesso. Para os mais íntimos, revelo com discrição: "Comprei na Mesbla". A Marisa que lá está, no mesmo endereço, não a substitui bem, na minha opinião. Não gosto da qualidade nem das cores das roupas, de modo geral. Tá, eu sei, é roupa de loja de departamentos, é fast fashion, mas a Mesbla era muito melhor, isso é inegável.
Ora, pois, pois, mas vamos deixar o saudosismo inútil pra lá, porque o propósito deste post é falar de novidade. Como eu ia dizendo dois parágrafos atrás, o comércio do Méier tem estado bastante aquecido. A todo momento surgem novas lojas. Nos últimos meses vimos chegar Brasil Cacau, Geneal, Subway e, esta semana, Lecadô.
O endereço da nova loja ainda não está no site da rede, mas é fácil achá-la. Ela fica exatamente onde, até pouco tempo atrás, funcionava o Beco, na Dias da Cruz, ali na altura da subida para a Hermengarda. Ou seja, perdemos uma doceria, mas ganhamos outra. O Beco tinha muitos fãs e, certamente, deixará saudades, mas pelo menos teve mais sorte do que a Mesbla. Foi substituído à altura.
O Méier está a algumas horas de ganhar sua primeira loja de frozen yogurt. Apesar do nome importado, acho que nem precisaria explicar a sobremesa, que já está na boca de todo mundo, mas não custa. Vai que alguém ainda não conhece.
O frozen yogurt é como um sorvete, só que mais saudável. Além de ser feito de iogurte, leva menos gordura em sua composição. Por enquanto, aqui na região do Grande Méier, que eu saiba, é encontrado apenas nos shoppings. Ou melhor, era. Porque amanhã a Yogofrutte começa a funcionar no Méier Off-Shopping, popularmente conhecido como Galeria Oxford.
Notei a loja há dois finais de semana e como a obra me pareceu bastante adiantada fui à Galeria Oxford, no último sábado, para ver se já havia inaugurado, mas ainda não era hora.
Sempre fico muito animada quando novidades como essa surgem no nosso comércio e torço para que sejam boas e longevas. Já basta ter de enfrentar um shopping para poder, por exemplo, assistir a um filme no cinema ou visitar uma livraria.
Não sei se mais alguém pensa assim, mas, depois de uma época de vacas magras, tenho a impressão de que o comércio do Méier voltou a melhorar, felizmente. Nesse ponto, a Galeria Oxford tem dado de dez a zero no Shopping do Méier, cada vez mais às moscas, com tantas lojas fechadas. Seria tão bom para os moradores se todos aqueles espaços estivessem ocupados. Na minha opinião, quanto mais opções locais, melhor.
Yogofrutte Méier Off-Shopping Rua Dias da Cruz, 188 - loja 134 Méier
Teus dois cinemas, um ao pé do outro, por que não se afastam para não criar, todas as noites, o problema da opção e evitar a humilde perplexidade dos moradores? Ambos com a melhor artista e a bilheteria mais bela, que tortura lançam no Méier!
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. 1. ed. – Rio de Janeiro: MEDIAfashion, 2008. – (Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros ; v. 4))
Sentimento do mundo, terceiro trabalho poético de Carlos Drummond de Andrade, foi publicado pela primeira vez em 1940. Os 28 poemas do livro foram escritos entre 1935 e aquele ano. Bons tempos em que o Méier tinha dois cinemas. Hoje, não sobrou nenhum. Parece que não compreenderam bem o pedido do poeta.
Quem me conhece sabe que sou uma pessoa chata. Não gosto de um monte de coisas. Tenho nojo de cabelo, acho os filmes do 007 intermináveis e detesto falta de educação. Também tenho horror a gente que se intromete na vida alheia e não suporto andar de ônibus. Desse último, infelizmente, ainda não arranjei meio de escapar.
De segunda a sexta-feira, faço de duas a três viagens de ônibus. Até alguns meses atrás, para ir trabalhar pegava o 247 ou 249, o que passasse primeiro. Gastava no mínimo uma hora (na imensa maioria das vezes, muito mais) até o Centro. Era um inferno. Ônibus lotado, motorista dirigindo como se transportasse carga, passageiros sem noção ouvindo música sem fones de ouvido... Resumindo, aquela entropia com a qual estão familiarizados todos os infelizes que dependem dos ônibus no Rio de Janeiro.
Em um típico dia do mais angustiante calor estival, presenteei a mim mesma com uma viagem de frescão até o trabalho. Sentindo a ameaça das gotas de suor, que já começavam a se encaminhar para os poros, olhei a fila na porta do 247. Olhei para o alto e percebi a imponência da estrela dourada. Antevi os 90 minutos sacolejando do Méier ao Centro no ônibus fedido, quente e cheio. Foi o suficiente para me imbuir de toda a coragem e fazer sinal para o 1051 da Matias. Paguei os mais de R$ 6 que me dariam o direito de viajar em um ônibus com poltrona confortável, ar condicionado e que não para em tudo quanto é ponto. Eu merecia.
Mas aí, sabe como é. Habituar-se ao que é bom leva um segundo e o que era para ser uma situação excepcional passou a permanente. Quem disse que, depois de conhecer o conforto do frescão, eu conseguia viajar de 247 ou 249 impunemente? Estranhava tudo: o assento, a barulheira, a falta de apego dos motoristas às regras de segurança no trânsito. Aconteceu o inevitável: aderi ao Matias para as viagens mais longas.
Meu pai deixou de andar de Matias depois de ter sofrido três assaltos traumatizantes em um mesmo semestre. Sei desse risco, mas cruzo os dedos e tomo meu lugar no frescão. Desde o verão, tenho sido uma feliz usuária da combinação ônibus + conforto. Por sorte, tudo vem correndo bem. Ou melhor, vinha. Até ontem.
No Matias, o combo poltrona confortável e ar condicionado vem acrescido de música ambiente. Geralmente os motoristas sintonizam as rádios MPB ou JB FM. Alguns programam canções do Elvis, Rei do Rock, ou do Rei Roberto Carlos (dessa monarquia não gosto, mas respeito) para a viagem toda. Mas ontem... Ontem a trilha sonora do Méier ao Centro foi pagode. Pagode, meu Deus! Lamentei não estar com meu MP3, mas pensei que tivesse sido um caso isolado. Hoje de manhã, como de hábito, entro no frescão. O motorista não era o mesmo da véspera, mas a música... Pagode de novo impregnando meu cérebro até o Centro. Começo a desconfiar que talvez exista um plano maligno das empresas de transporte rodoviário (sub)urbano para destruir a minha pessoa.
Não pensei que minha tarde de bateção de pernas no Méier seria tão produtiva. Tanto que nem me lembrei de fotografar, como havia prometido no post anterior, excusez-moi.
Levei livros para um sebo na Pedro de Carvalho e deixei em uma calçada um par de sapatos que não tive coragem de oferecer a ninguém, mas que ainda podem ser úteis a alguém. Também levei um terno do meu Parzinho (que, diferente de mim, não teve moleza hoje e foi trabalhar) para a lavanderia e aprendi a diferença entre lavagem a seco e normal, com água.
Sempre me causou espécie essa história de lavagem a seco. Perguntei e a moça da loja me explicou que esse método é mais como uma higienização. Alguns tecidos não podem ser lavados com água, então são limpos com vapor.
Comprei saladas de frutas no Tuti Fruti para abastecer minha geladeira. Um tempo atrás eu não gostava do Tuti Fruti. Frescura minha, é o melhor horti-fruti das redondezas, sabe facilitar a nossa vida. Como pessoa que trabalha, estuda e não tem empregada, sou totalmente adepta dos legumes já higienizados, descascados e picados. Com a salada de frutas minha relação é ainda mais séria, sou dependente. Adoro. As frutas estão sempre perfeitas.
Minha tarde no Méier também foi de experiências novas. Fui pela primeira vez à Corpus Depilação e fiz as sobrancelhas. Tive muita sorte, não esperei nadinha. A recepcionista me entregou o kit com luvas, palito e pinça descartáveis e, assim que me sentei para aguardar minha vez, a depiladora chamou meu nome. Não tive nem oportunidade de tirar da bolsa o livro que levei para ler enquanto esperasse.
Tenho meu pé atrás com esses lugares desde que algumas pessoas me avisaram que a cera da Pello Menos é reaproveitada. Nojo, nojo, nojo supremo. Mas na Corpus parece que não tem nada disso, não, várias vezes já haviam me recomendado ir lá. Fiquei satisfeita com o atendimento, todas foram muito atenciosas. Como era a primeira vez que lá ia, tive 20% de desconto.
Depois fui conhecer o Subway do Méier. Foi outra experiência nova, inclusive porque decidi experimentar um sanduíche que nunca havia comido. Não pude pedir meu pão favorito, o integral com aveia, porque só tinha o pão com parmesão. Paciência. Escolhi o sanduíche de peito de peru e montei como de costume. Ficou bom, mas o de almôndegas continua sendo o meu preferido.
Achei que a atendente não se esforçava nem um pouco para ser simpática, mesmo com a loja vazia. Fiquei pensando se isso não seria um problema do Subway, já que o do Centro, onde almoço vez por outra, tem uma caixa super seca. Mas depois lembrei que não é privilégio do Subway, esse é um problema do Rio de Janeiro em geral. Nessa cidade, quem lida com o público nem sempre faz questão de demonstrar cortesia. Pergunte para um paulista, por exemplo, se ele se sente bem tratado pelos funcionários do comércio no Rio.
Enfim, depois comento melhor minhas impressões do Subway e também da Geneal. Por agora já escrevi demais e pretendo bater perna na Dias da Cruz de novo. Quero ver se acho os camelôs que vendem aqueles lindos lenços coloridos. Desejem-me boa sorte, porque a essa hora as calçadas estão insuportavelmente lotadas e eu não nasci equipada com o dom da paciência.
Tem uma loja da Avon no Méier Off-Shopping (sempre chamei o lugar de Galeria Oxford, agora peguei essa mania de usar esse nome que nunca ouço ninguém dizer). Já sabia da existência da loja há tempos, mas fui lá pela primeira vez alguns dias atrás. Minha mãe precisava de uns produtos com urgência e ali você leva na hora (mas eles também fazem encomenda). Além disso, vendem com desconto, acho que de 10%, mas só aceitam dinheiro ou cheque.
Apesar de a loja ser da Avon, também há produtos Natura. Como adoro maquiagem, comprei um quarteto de sombras da linha Aquarela. Estava mesmo precisada de cores discretas para usar no trabalho. Na revista, o quarteto de sombras custa R$ 25,90 e, se não me engano, paguei R$ 23,30 na loja.
Para quem não sabe, a lojinha da Avon fica no segundo andar do Méier Off-Shopping. No finzinho do post tem o endereço completo e o telefone.
Agora vou aproveitar minha sexta-feira enforcada e bater perna na Dias da Cruz, já que não consigo me livrar desse hábito adquirido na adolescência. Engraçado que antes eu gostava muito de olhar as novidades no Shopping do Méier, mas hoje prefiro mil vezes a Galeria Oxford, muito mais bonitinha. E é lá que fica o MegaMatte, um dos meus pontos de parada obrigatórios. A propósito, ainda não contei aqui, mas já fui conhecer a loja da Geneal. Recomendo.
Se hoje descolar fotinhos legais durante minha andança, mais tarde publico no blog. Já faz um tempão que postei a última, ela até sumiu da página principal.
Loja Avon
Méier Off-Shopping
Rua Dias da Cruz, 188 – Loja 215
Méier
2269-2266
Sabe o Tsuki, o japa no Baixo Méier? Baixou as portas, mas é temporário. Ontem liguei no delivery para perguntar se o restaurante tinha acabado e informaram que está fechado apenas para obras. Deve reabrir dentro de uma semana.
Espero que estejam aproveitando o interlúdio para treinar melhor os funcionários, que embora atenciosos podem ser bastante enrolados. Mas isso é assunto para outro post. Prefiro esperar o restaurante reabrir e voltar lá para tirar a prova.
Cerca de 15 dias atrás, o blog recebeu um bom número de visitantes que pesquisavam na internet o aniversário de 121 anos do Méier (completados no dia 13). Na época, também vasculhei a rede atrás de informações. Diversas vezes estive no site da prefeitura, subprefeitura, secretaria de Cultura, de Esporte e Lazer, jornal O Dia. Nadinha.
Quando eu já havia desistido, encontrei na coluna do Marcelo de Mello, no Zona Norte da semana passada, uma notinha a respeito da única iniciativa de que tomei conhecimento. Quase esqueço de contar aqui.
A unidade Méier da Universidade Candido Mendes preparou uma exposição para comemorar o aniversário do bairro. Até quinta-feira, dia 27 de maio, 30 pintores mostram seus trabalhos por lá. Espero ter tempo de ir na quarta-feira. Tomara que a exposição seja legal.
Ah!, em sua coluna Marcelo de Mello também contou que a universidade ofereceu a orquestra para o aniversário do Méier, mas a prefeitura – hum, como se diz? – fez desfeita. Sem comentários.
A Candido Mendes do Méier fica no Méier Off-Shopping, também conhecido como Galeria Oxford. O endereço é rua Dias da Cruz, 188, segundo andar. O telefone é 3899-1613.
Desde o fim de semana, no ônibus ou passando pelas ruas, tenho pescado algumas conversas sobre assaltos (ou tentativas de) recentes no Méier. A gente sabe que, lamentavelmente, o nosso bairro não está na lista dos mais seguros. Mesmo assim, esses casos entreouvidos quase que em dias seguidos me chamaram a atenção. Inclusive porque pude notar que as pessoas falavam de episódios diferentes, embora eu não tenha conseguido perceber onde ocorreram.
Hoje pela manhã, mais uma vez o Méier foi vítima da falta de segurança. O Globo Online noticiou que dois homens em uma moto tentaram assaltar uma joalheria na Dias da Cruz. Segundo a rádio CBN, o alvo dos bandidos foi a joalheria Opala, no número 128. Houve troca de tiros e agentes da Polinter que passavam pelo local capturaram um dos criminosos. O outro fugiu e policiais do 3º BPM fizeram buscas para localizá-lo.
Quem ofereceu mais detalhes foi o blog Casos de Polícia e Segurança, do Extra Online. De acordo com o post da repórter Letícia Sicsu, a dupla tentou assaltar a joalheria na hora em que a loja abria e o tiroteio ocorreu por volta das 9h30.
A suspeita de que falei no post anterior se confirmou hoje à noite. Passei em frente à loja e o letreiro estava lá, descoberto, aceso, todo lindão. Em alguns dias abrirá um Subway aqui no Méier, quase ao lado do McDonald's da praça Agripino Grieco. Apenas a loja Avelã os separa.
E agora que o Méier está ficando crescidinho, toda hora ganhando uma lojinha bacana, bem que alguém poderia se animar a nos devolver os nossos cinemas, não acham?
"É o Méier o orgulho dos subúrbios e dos suburbanos." (Lima Barreto, que foi morador de Todos os Santos) "O Meyer tem um jardim pra gente amar é lá que eu vou construir meu lar o Meyer sempre foi o maioral é a capital dos subúrbios da Central" (Trecho de "Samba do Meyer", composto por Wilson Batista e Dunga e cantado por João Nogueira, que morou no bairro, onde fundou o Clube do Samba)
Habitante em eterno caso de amor e ódio com o bairro. Trabalha mais do que deve, ganha muito menos do que merece, como a maioria dos suburbanos. Locomove-se de ônibus com mais freqüência do que gostaria. Consumidora compulsiva de livros e revistas, conseguindo controlar a tentação pelas bolsas.